
05 - Na Escuridão
PL/TW
Um vampiro é o que um vampiro faz.
Minha mãe não me disse isso. Percebi por mim mesma. Claro, demorei mais de quatrocentos anospara perceber.
Passei por humana todos estes séculos. Mas, sob uma inspeção mais cuidadosa (note as minhaspresas, minha pele branca translúcida, a minha reação ao alho), fica evidente que não sou.
Além do óbvio, deixe-me explicar o meu jeito de ser vampiro.
Não posso morrer se não for através de uma estaca no coração (o método preferido de quem nos odeia), ser exposta ao sol ou ser atingida em um lugar macio e vulnerável com uma bala feita de prata. Tremo só de pensar nisso.
Devo beber sangue, de preferência humano, mas animal também serve.
Eu sou, devido à minha natureza, viciada em imoralidade, buscando o prazer em todas as suas formas, sem importar o quanto eu tente ser casta. E eu tento ser casta. Mas falho miseravelmente o tempo todo.
Vivo entre milhões de pessoas na maior cidade do mundo, mas sempre serei uma forasteira. Jamais poderei me encaixar.
Agora você pode entender por que tenho a chance proverbial de uma bola de neve no inferno, de terqualquer compromisso, a longo prazo, numa relação homem-mulher.
Continuo tentando. Porque, mais do que qualquer outra coisa, preciso de perdão, redenção, e, oh, sim, do verdadeiro amor.
Vivo na escuridão, mas acredito que, no fundo do meu coração, eu possa encontrar a luz.
Sem mais delongas, deixe-me apresentar-me. Eu sou vampira. Mas sou aquela que está andando para frente, tentando acumular algum carma bom. Tenho nome, classificação, número de série e um trabalho no governo. Sou a Agente Daphne Urbano, espiã americana.










